O crente na política
Como em qualquer outra área da vida, o cristão deve assumir a sua posição, pois de que outro modo ele poderia ser o diferencial (Mt 5.13)? Sabe-se que a política é, sobretudo em nosso país, um campo muito identificado com a corrupção, o nepotismo, o tráfico de influência, a proteção dos interesses dos poderosos em detrimento dos mais fracos e quase toda ação nefasta. Por isso, é compreensível que nossa tendência natural seja querer que nos afastemos da arte de governar em repúdio a tudo isso. Alguns até citam textos bíblicos para justificar esse distanciamento, dizendo que nossa pátria está nos Céus (Jo 18.36; Fp 3.20). Quando fazem isso, exortam os cristãos a não se envolverem com algo tão mundano. Embora compreendamos esse sentimento de repulsa (e até o tenha sentido muitas vezes), não concordamos com essa postura, pois a Palavra de Deus nos ensina que devemos participar como cidadãos conscientes. Certa vez, Jotão, filho de juiz Gideão, contou a seguinte parábola aos habitantes de Siquém: (Jz 9.8-15)
(8) Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei; e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós. (9) Mas a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, para ir balouçar sobre as árvores? (10) Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós. (11) Mas a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para ir balouçar sobre as árvores? (12) Disseram então as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós. (13) Mas a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, para ir balouçar sobre as árvores? (14) Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós. (15) O espinheiro, porém, respondeu às árvores: Se de boa fé me ungis por vosso rei, vinde refugiar-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro, e devore os cedros do Líbano.
Pensamos que o sentido desse texto é muito claro se os bons se furtarem a tomar parte do comando da sociedade, toda ela sofrerá muito mais, e - o que é pior - não poderemos alegar coisa alguma em nossa defesa. Ainda não vivemos no céu, e o próprio Senhor Jesus rogou ao Pai que permanecêssemos aqui, conquanto protegidos do mal (Jo 17.15). Assim, cremos que existam os que foram chamados pelo Senhor para representar o povo de Deus na esfera política - e estes precisam vigiar muito para não caírem nos abundantes laços do maligno -, assim como há os convocados para pregar o Evangelho. O erro, a meu ver, está nestes quererem o ministério daqueles, pois isso faz com que pregadores acabem deixando a Palavra para "servir às mesas" (At 6.2).
Entretanto...Esperamos que o Sr. DEUS derrame Sua graça e sabedoria sobre os nossos pastores, para que não se tenha, sobre a nossa igreja, uma visão igual a que ouvimos, de um morador de rua, acerca de uma igreja próxima (regionalmente falando), na qual ele nos relatou, durante um dos impactos evangelísticos, mais ou menos assim: “Eu não acredito naquela igreja (nome), fiquei uma semana embaixo de uma árvore enquanto os empresários passavam e nada faziam por mim, apenas ficaram na promessa…”
Que tal sugerir algo?
Fique a vontade
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